• Tamar Caroline Seixas

Usuários de drogas: a atuação do psicólogo frente a esta demanda


“Parece improvável que a humanidade em geral seja algum dia capaz de dispensar os ‘paraísos artificiais’, isto é,… a busca de auto transcendência através das drogas ou… umas férias químicas de si mesmo… A maioria dos homens e mulheres levam vidas tão dolorosas ou tão monótonas, pobres e limitadas, que a tentação de transcender a si mesmo, ainda que por alguns momentos, é e sempre foi um dos principais apetites da alma.” (Aldous Huxley).

Percebemos que para muitos o consumo de drogas e álcool vem se tornando cada vez mais frequente, pois trata-se de um escape da vida real, de seus problemas e dificuldades, para uma realidade perfeita. Porem essa fuga causa malefícios irreparáveis, um caminho ao qual muitas vezes não há volta. Para entender o porquê muitas pessoas conscientes desses males ainda sim escolhem tomar esse caminho, é preciso saber de onde surgiram as drogas e o álcool no mundo e em nosso país, quais são os tipos de drogas existentes e o papel do psicólogo para auxiliar no tratamento e recuperação de usuários que buscam a ajuda.

Segundo Coser e Maçaneiro (2011), as drogas e o álcool existem desde a interação da espécie humana. Até 1200 D.C o álcool era encontrado em bebidas fermentadas com baixo teor alcoólico, porem começou a ser destiladas causando um aumento no teor de álcool.

No Brasil as bebidas alcoólicas tiveram origem com a chegada dos portugueses, assim que colonizaram o nosso país, descobriram que os índios sabiam preparar uma bebida fermentada utilizando a mandioca, essa bebida era usada em festas e rituais típicos. Os portugueses trouxeram o vinho e a cerveja, e descobriram que com o “cagaça” da cana de açúcar, o que sobrava no processo de fabricação de açúcar, poderia ser fabricado a cachaça, logo a bebida ficou oficialmente conhecida no mundo, como brasileira, pois a cana de açúcar é uma matéria prima abundante no Brasil.

O uso de maconha, com propósitos medicinais, data de 2.700 A.C. Largamente utilizada na Europa com este propósito, durante os séculos XVIII e XIX, ela foi introduzida no Brasil pelos escravos africanos e foi difundida também entre os indígenas, sendo no início usada com propósitos medicinais.(ANDRADE; ESPINHEIRA,2010)

De acordo com Coser e Maçaneiro (2011), as drogas originaram-se oficialmente na época dos descobrimentos, com as grandes navegações que possibilitaram o contato entre os continentes, logo a troca de drogas e a origem do tráfico. Um exemplo de umas dessas drogas foi o ópio da China, que foi fumado por anos em vários continentes.

O princípio ativo tanto do ópio como da coca ficam muito mais apurados sob as formas de heroína e cocaína. Como se vê, à medida que o homem evoluiu, cientificamente, foi produzindo drogas mais potentes. (COSER; MAÇANEIRO, 2011).

E com os avanços tecnológicos veio o desenvolvimento do álcool e das drogas, logo as pesquisas começaram a apontar um número exorbitante de pessoas viciadas. Os Estados Unidos foi o primeiro pais a se preocupar de fato com esse problema, e investiu nas pesquisas sobre o assunto, porem houve muita dificuldade, pois nessa época essa abstinência que os dependes de álcool ou drogas apresentavam eram ditas como problemas psiquiátricos e psicológicos.

Mas os pesquisadores se atentaram ao fato de que quando os pacientes ficavam sem consumir álcool ou drogas, se comportavam normalmente, logo eles não poderiam ser portadores de nenhum tipo de problema psicológico ou psiquiátrico.

Essa preocupação dominou os demais países na década de 60 e 70, quando esse problema começou a invadir violentamente várias áreas sócias como escolas, famílias e trabalho.

O consumo de álcool é difícil de ser combatido por ser lícito e em muitas culturas é utilizada como antídoto, por isso a ingestão de bebidas com teor alcoólico faz parte de muitas culturas. Assim como a bebida, em alguns países a maconha tornou-se lícita (com prescrição medica) com fins medicinais.

Porém novas drogas surgiram e o número de usuários continua aumentando absurdamente, mesmo com toda a informação que é fornecida sobre os perigos que o consumo exagerado de álcool e drogas pode causar e com muitos tipos de tratamento apresentados aos dependentes.

E cada tipo de droga, com suas características químicas, produzem um efeito diferente no organismo. Cada pessoa tende a reagir de uma forma única a ingestão dessas substancias, podendo causar mudanças fisiológicas ou de comportamento.

Drogas Perturbadoras: Relacionam-se aos neurônios, causam efeitos de alteração de comportamento e cognição, como alucinações visualmente (Ex: Maconha, ecstasy).

Drogas Depressoras: Causam o funcionamento lento do organismo, diminuindo as atividades cerebrais (Ex: Álcool, heroína).

Drogas Estimulantes: Causa euforia, aumentando a atividade de pulmonar de atenção, e diminuindo o cansaço (Ex: Cocaína, crack).

Por tanto com esta variedade e a facilidade em que os indivíduos possuem em utilizarem drogas como maconha, cocaína e bebidas alcoólicas tem aumentado cada vez mais, o que tem causado um número maior de problemas, como a violência, acidentes e a AIDS, o que faz com que diagnósticos para abordagem de um tratamento sejam feitos a cada momento que um usuário decide buscar ajuda ou por intervenção da família e amigos é ajudado, mais primeiramente a pessoa precisa estar ciente e querer realmente a mudança.

Para um tratamento valido de recuperação varia de pessoa, porque as drogas são substancias que causam mudanças na consciência e nos estados emocionais dos que usam, as alterações causadas alternam de pessoa para pessoa, dependendo de qual a droga escolhida e da frequência de uso. Os prejuízos provocados pela intoxicação podem trazer riscos duradouros e alguns até reversíveis.

Na internação o psicólogo primeiramente avalia o histórico familiar do paciente, e com isso passa as entrevistas iniciais e os testes psicológicos, com o uso do DSM-IV ou CID-10 o diagnóstico é feito para assim dar início realmente ao tratamento adequado, a observação da evolução do paciente é feita por meio da abordagem terapêutica e as estratégias de prevenção de recaída, as mesmas podemos observar em situações como as entrevistas motivacionais podendo ser individual, grupal, familiar ao qual são feitas certas estratégias psicoterapêuticas para motiva-lo e para o controle de sintomas psicóticos ou depressivos.

O mais importante para que o tratamento tenha sucesso é disposição do é a paciente e o apoio familiar, com isso as probabilidades de mudança de comportamento são muito maiores. O Psicólogo também fornece apoio e informações durante todo o tratamento para a família, sempre respeitando as informações pessoais do paciente, é apresentados grupos de autoajuda e sobre os 12 passos do AA. Após o período de desintoxicação é considerado o tratamento da comorbidade, levando em conta a fase inicial da recuperação.

É muito importante que o tratamento terapêutico continue mesmo quando as mudanças são conquistadas, tratamentos com as técnicas psicossociais para aumento de motivação, podendo assim voltar a ter uma vida social e familiar tendo a recuperação e prevenindo recaída. Enfim ultizando-se de uma frase frequentemente citada pelo AA “Um dia de cada vez”, realmente quando o indivíduo opta por este caminho encontra muita dificuldade, será um tratamento a longo prazo, com inúmeras resistências, portanto demandara um estado de alerta por toda a vida, pois se em um passo ele escorregar, poderá representar uma nova queda

Referências

ANDRADE, T. M.; ESPINHEIRA, C. G. D. A presença das bebidas alcoólicas e outras substâncias psicoativas na cultura brasileira. 2010. Acessado em 11 de 1 Agosto 2015 às 11h40min. Disponível em:

HTTP://www.obid.senad.gov.br/portais/obid/biblioteca/documentos.

COSER, R; MAÇANEIRO, C. As drogas ao longo da história. Acessado em 11 de Agosto de 2015 às 12h10min. Disponível em:

HTTP://www.ppad-vida.com/2011/12/as-drogas-ao-longo-da-historia-resumida.html


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